Oficina apresenta receitas com frutos do Cerrado e incentiva geração de renda em comunidade indígena

Postado por: ARTHUR PENNA AYRES

O aproveitamento de frutos nativos do Cerrado na alimentação e na geração de renda foi o tema da oficina “Cerrado na Mesa: Sabor, Saúde e Sustentabilidade”, realizada na Aldeia Olho d’Água, em Dois Irmãos do Buriti (MS). Ministrada pela professora Raquel Pires Campo, docente do curso de Engenharia de Alimentos da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a atividade apresentou novas possibilidades de preparo de receitas com ingredientes regionais, como bocaiuva e jatobá, valorizando os conhecimentos locais e incentivando o empreendedorismo na comunidade.

Durante o curso, os participantes tiveram contato com técnicas de preparo, pesos e medidas caseiras e possibilidades de utilização dos frutos em diferentes receitas. A proposta também envolveu a troca de experiências entre a equipe responsável pela formação e os moradores, considerando os alimentos já presentes no cotidiano da comunidade.

A iniciativa integra as ações do Mercado Escola da UFMS, em conjunto com o Programa de Residência Agrícola em Extensão Rural e o Pro-SEMEIA, Programa Nacional de Formação em Assistência Técnica e Extensão Rural para Assentamentos de Reforma Agrária e Contribuições para a Agenda 2030.

A realização da oficina contou com o apoio da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), vinculada ao Governo de Mato Grosso do Sul, fortalecendo a parceria institucional em ações de extensão rural, valorização da agricultura familiar e desenvolvimento das comunidades tradicionais.

Conhecimento que pode se transformar em renda

Entre as participantes, a oficina foi uma oportunidade de ampliar o repertório de receitas e descobrir novas formas de aproveitar ingredientes encontrados na própria comunidade. Leiva Juliano , moradora da Aldeia Olho d’Água, destacou a importância de aprender preparações que possam contribuir com a renda das famílias.

“É bom que tenha as matérias-primas que a gente já tem aqui na comunidade, que é a bocaiuva e o jatobá. A gente já tinha algumas receitas da bocaiuva, mas hoje aprendemos outras que podemos fazer para vender também, para aumentar a nossa renda”, relatou.

Outra participante, Rosemilda da Silva, também moradora da comunidade, avaliou positivamente a formação e demonstrou interesse em continuar preparando as receitas. Segundo ela, o curso proporcionou novos aprendizados e conhecimentos que pretende colocar em prática.

“Foi muito bom fazer esse curso, porque tivemos mais aprendizado. O que eu não sabia fazer, agora sei, aprendi”, afirmou.

Extensão rural e valorização dos saberes locais

A participação das residentes em Extensão Rural também contribuiu para aproximar a atividade das necessidades e experiências dos participantes. A agrônoma e residente em Extensão Rural Noemi Artiaga destacou que iniciativas como essa fortalecem o diálogo entre o conhecimento técnico e os saberes tradicionais, além de ampliar as possibilidades de utilização dos produtos disponíveis nos territórios.

“Nosso objetivo é construir esse conhecimento junto com as comunidades, valorizando aquilo que elas já produzem e conhecem. Quando apresentamos novas formas de aproveitar os frutos do Cerrado, também contribuímos para que esses alimentos ganhem novas possibilidades de consumo e comercialização, fortalecendo a autonomia e a geração de renda das famílias”, explicou.

A zootecnista e residente do Pro-SEMEIA Jéssica da Silva ressaltou a importância de desenvolver atividades que considerem a realidade dos produtores e incentivem o aproveitamento integral dos alimentos.

“É muito importante perceber que um fruto que já faz parte da realidade da comunidade pode ganhar novas possibilidades de preparo e comercialização. A oficina permite que os participantes levem esse aprendizado para o dia a dia, aproveitem melhor os ingredientes disponíveis e enxerguem novas oportunidades a partir da própria produção”, destacou.

A oficina integra as ações de extensão universitária voltadas ao desenvolvimento da agricultura familiar, à economia solidária e à valorização da sociobiodiversidade. Por meio da formação e da troca de experiências, o Mercado Escola da UFMS busca aproximar a universidade das comunidades e contribuir para o fortalecimento das iniciativas produtivas nos territórios.

Texto e Foto: Arthur Ayres